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O governo Eduardo Leite avalia tornar obrigatória a presença de estudantes nas aulas de escolas públicas e privadas de ensinos fundamental, médio e superior do Rio Grande do Sul em 2021. O pedido foi levado pelo Sindicato do Ensino Privado (Sinepe) e é estudado pelo Gabinete de Crise do Palácio Piratini, grupo formado por representantes de várias secretarias. 

Caso a medida seja aprovada, a presença será obrigatória, mas não diária, uma vez que o Estado manterá o ensino híbrido, modelo que ganhou força na pandemia para evitar aglomerações. 

As turmas seriam divididas pela metade e cada grupo se revezaria em sala de aula a cada semana ou intervalo de dias definido pela escola. A lotação seria, portanto, de no máximo 50% da sala de aula, com distanciamento entre as cadeiras. 

Quem ficar em casa nos dias de período remoto receberá atividades para realizar à distância, enquanto os colegas estão na escola. Em seguida, a turma inverte: quem estudava de casa irá para a escola e quem estava na aula presencial fica no remoto. 

A presença seria exigida para todos, exceto estudantes e professores que fazem parte dos grupos de risco para a covid-19. No ano passado, pais podiam optar, mesmo com filhos saudáveis, se levariam eles à escola ou se os manteriam no ensino 100% remoto.

Na rede estadual, as aulas em formato presencial voltam, em formado híbrido, em 8 de março para estudantes do 1º ao 5º ano, 11 de março para 6º ao 9º ano e em 15 de março para Ensino Médio e Técnico. 

Os protocolos sanitários atuais serão mantidos, como distanciamento de 1,5 metro entre as mesas, lotação das salas de aula de até metade da turma, aferição da temperatura na entrada e oferta de álcool gel. As normas são balizadas pelos conselhos Nacional e Estadual de Educação, entidades independentes que norteiam governos na adoção de políticas públicas.

A decisão não caberá à Secretaria Estadual de Educação (Seduc), mas ao Gabinete de Crise, composto por membros de várias pastas.

O secretário de Educação do Rio Grande do Sul, Faisal Karam, afirma que a presença dos estudantes neste ano é fundamental para recuperar o conteúdo não aprendido em 2020. Ele ressaltou que o Brasil é o país onde as aulas presenciais foram suspensas por mais tempo e que o ensino 100% remoto, apesar de atenuar prejuízos, ainda assim traz problemas na aprendizagem. 

Karam cita que, no Estado, cerca de 25% dos estudantes têm dificuldade no ensino a distância e que o governo está preocupado com uma possível geração perdida na educação por conta da pandemia, o que implicaria prejuízos para emprego, renda e desenvolvimento. Pesquisas indicam que o nível de estudo está diretamente relacionado com o salário de um cidadão.

Eu vejo como fundamental a presença do aluno e do professor, com exceção de quem tem comorbidades ou daquele aluno com alguma doença como asma, que ficará de forma remota e o professor terá que chegar de outras maneiras” afirma o secretário.  

Aquele pai que entende que, na questão pedagógica, seu filho está sem dificuldade (no ensino remoto) tem seu argumento. Mas é uma realidade pequena dentro dos mais de 800 mil alunos da rede estadual. Os países não pararam com a educação. O único lugar do mundo onde a educação não é a prioridade é o Brasil. Se, no mundo inteiro, OMS (Organização Mundial de Saúde) e Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) dizem que é fundamental ter aulas… Não podemos perder dois anos de educação” acrescenta Karam. 

A obrigatoriedade da presença no formato híbrido é discutida pelo Gabinete de Crise, que se reunirá na próxima quinta-feira (4) e deve abordar o tema. Para convencer pais a levar os filhos para a escola, o Piratini deve lançar uma campanha, ainda nesta semana, de convocação dos jovens ao ensino presencial. 

O presidente do Sinepe, Bruno Eizerik, que levou ao governo a sugestão de implementar a obrigatoriedade da presença no ensino híbrido, afirma que as escolas já aprenderam a implementar os protocolos sanitários e que o ambiente é seguro. 

A gente entende que aprendemos muito no ano passado. Estamos mais calejados. O prejuízo para as crianças, principalmente para os menores, é grande. A escola é um lugar de conviver. No ano passado, cerca de 75% das escolas voltaram às aulas presenciais. Mas quem vai determinar se deve ser obrigatório ou não é o Estado. O governo do Estado disse que levaria para o Gabinete de Crise analisar essa questão. A vacina está chegando aí. Professores e funcionários foram colocados no quarto grupo prioritário. E para a escola pública, também é importante que as crianças voltem às aulas” acrescenta Eizerik.