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A pandemia de coronavírus está desacelerando no Brasil. É o que mostra o resultado da quarta fase do estudo epidemiológico sobre a covid-19 no país coordenado pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Foram ouvidas 33.250 pessoas em 133 municípios brasileiros entre 27 e 30 de agosto, pouco mais de dois meses após a conclusão da terceira fase. 

Essa etapa é a primeira financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e pelo Todos Pela Saúde, já que o Ministério da Saúde decidiu não bancar mais o estudo. A UFPel já havia realizado oito etapas da pesquisa de prevalência do vírus na população gaúcha.

Os dados indicam que 1,4% dos entrevistados tiveram contato com o coronavírus. Na fase 3, eram 3,8%. As diferenças entre regiões do Brasil seguiram marcantes, como já havia sido observado nas fases anteriores. O maior percentual de infecção foi registrado nas regiões Norte (2,4%) e Nordeste (1,9%). No Sul, Centro-Oeste e Sudeste, ficou em 0,5%. Das oito cidades gaúchas escolhidas, Porto Alegre aparece com o maior indicador, 1,6%, seguida de Ijuí e Santa Maria (0,8%), Caxias do Sul, Passo Fundo e Pelotas (0,4%) e Santa Cruz e Uruguaiana (0%).

Reitor da UFPel e coordenador do estudo, Pedro Hallal destaca que a distribuição etária dos casos apresentou mudança. “Nas três primeiras fases, nós vimos uma concentração de casos entre os adultos jovens, especialmente aqueles em idade produtiva que trabalham fora. E agora, talvez porque esses adultos já se infectaram mais, aumentou a proporção de infectados entre os idosos e as crianças. Isso é preocupante, especialmente por causa dos idosos, porque os quadros tendem a ser um pouco mais graves” declarou.

Hallal também observa a diferença de infectados nos níveis socioeconômicos. “As pessoas mais pobres têm o dobro do risco de infecção na comparação com as mais ricas. Esse resultado é particularmente preocupante porque são os grupos mais vulneráveis da população” afirma.

Para Paulo Petry, doutor em epidemiologia e professor da Universidade Federal do RS (UFRGS), observa que as diferenças regionais ficaram acentuadas na pesquisa. “O Brasil, como um país continental, tem muitas diferenças regionais. Os tempos da pandemia também ocorreram de forma diferente conforme a região. Mas se acentua o que já se vinha observando anteriormente, o maior impacto da pandemia no Norte e Nordeste e menor no Sul, Sudeste e Centro-Oeste“.

Constatações da pesquisa

  • Diminuiu a proporção da população que apresenta anticorpos. Como a presença de anticorpos é o índice que mostra se a pessoa já teve contato com o vírus, uma diminuição neste percentual demonstra que o contágio pelo coronavírus desacelerou no Brasil
  • A queda em níveis de anticorpos ao longo do tempo não indica que os indivíduos deixem de estar protegidos, pois seus organismos guardam a memória imunológica para produzir anticorpos rapidamente em caso de uma nova infecção
  • A interiorização da pandemia no Brasil foi confirmada
  • Houve mudança no perfil das cidades mais afetadas, com as maiores prevalências em duas cidades do Nordeste, Juazeiro do Norte e Sobral
  • Houve mudança no padrão etário dos infectados entre junho e agosto. Agora, a pandemia cresceu mais nas crianças e nos idosos e caiu entre adultos, que inicialmente eram mais afetados
  • Pessoas cujas famílias se encontram entre as 20% mais pobres da população, em todas as fases do estudo, apresentam prevalência mais de duas vezes superior à observada entre os 20% mais ricos