Diante dos olhares apreensivos e curiosos de algumas dezenas de pessoas — entre autoridades convidadas, servidores da Prefeitura de Pelotas e imprensa local —, a prefeita Paula Mascarenhas, acompanhada de conservadores/restauradores do Museu da Baronesa, abriu nesta terça-feira (14), no salão nobre do Paço Municipal, a caixa metálica encontrada há uma semana – em 7 de maio – debaixo do monumento à Yolanda Pereira, na praça Coronel Pedro Osório.

A cápsula do tempo, enterrada há 88 anos, continha bastante água da chuva, infiltrada pelas paredes de tijolos e concreto da base do monumento, mas ainda era possível visualizar pedaços de jornais de 1931, sobre a primeira Miss Universo pelotense (1930), e até ler alguns trechos.
A prefeita agradeceu pessoalmente o pesquisador Guilherme Pinto da Almeida e às empresas Sagres Agenciamentos Marítimos e CMPC, que patrocinaram a pesquisa de iniciativa do projeto Otroporto. O dossiê elaborado por Almeida, concluído em abril de 2018, com pesquisa e argumento, trazia indícios de que a caixa, possivelmente, ainda estivesse enterrada debaixo do monumento. “Devemos a ele a descoberta. Não fosse pelo Guilherme, e seu trabalho sério, continuaríamos na incerteza”, destacou Paula.

O pesquisador, que suspeitava da existência da cápsula há vários anos, aguardava o momento propício para a busca no local – o que ocorreu com as obras de revitalização da praça, com recurso do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) Cidades Históricas. Os primeiros a confirmarem que havia “algo metálico enterrado” foram os funcionários da Marsou Engenharia Ltda., empresa vencedora da licitação, no dia 7 de maio, e logo a conservadora/restauradora do Museu da Baronesa, Fabiane Rodrigues Moraes, que entregou a caixa à prefeita Paula.
Cápsula do Futuro
No final da cerimônia, a prefeita lançou a proposta de que seja construída uma nova cápsula, com um “retrato da Pelotas de hoje”, para “mandar um recado aos pelotenses do futuro”, a ser aberta em 50 anos: 2069.
Dentro da caixa
Embora no momento seja inviável mexer no conteúdo da caixa — que poderia se desmanchar, já que está mergulhado em água, e terá que ser cuidadosamente manuseado por especialistas —, trecho extraído da pesquisa de Almeida, dá uma noção precisa do que deveria ser o seu conteúdo:

“Lida a ata, que recebeu inúmeras assinaturas, foi ela encerrada numa artística caixinha de ferro, esmaltada de azul e ouro, presa à chave uma fita com as cores gaúchas – oferta da ‘Fundição e Mecânica’, de Santos, Sica & Cia., urna em que também ficaram depositados: um excelente retrato do Studium Inghes, da Miss, com autógrafos, clichês das moedas de prata que o Ministro da Fazenda, Dr. José Maria Whitaker, mandou cunhar, com a efígie de Miss Universo 1930, representando a Segunda República; números do[s periódicos] ‘O Libertador’, Diário Popular’, ‘Correio Mercantil’, ‘Opinião Pública’, ‘A Luz’, Diário de Notícias’, ‘A Noite’, que se ocupam de Yolanda Pereira, em sua campanha de Miss, e um exemplar do ‘Almanaque de Pelotas’, que traz um magnífico resumo dessa campanha.”
Texto: Ascom/Por Joice Lima

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