Uma pesquisa realizada pelo curso de Medicina da Universidade Católica de Pelotas (UCPel) chama a atenção para a importância de manter atualizada a caderneta vacinal de adolescentes. O estudo realizado pelas docentes Milene Maria de Oliveira e Rosângela Muller constatou que a maioria dos jovens analisados não possui documento de vacinação.

O estudo denominado “Perfil da situação vacinal na primeira consulta dos adolescentes no ambulatório de hebiatria” foi construído com a participação de 299 adolescentes, na faixa etária de 10 a 19 anos, que realizaram consulta no ambulatório do Campus Franklin Olivé Leite. Os resultados da pesquisa apontam que mais de 41% dos jovens participantes não estavam com o calendário de vacinas em dia ou desconheciam totalmente a sua situação vacinal.

De acordo com umas das idealizadoras da pesquisa, Milene Maria de Oliveira, o objetivo do estudo foi analisar a situação vacinal dos adolescentes, visto que estes fazem parte de um grupo de risco. “Observamos que os pais se preocupam com as crianças até os cinco anos de idade e só voltam a lembrar deste contexto perto dos 12 anos, mas neste meio tempo existem vacinas a serem feitas”, comenta.

Os adolescentes pertencem a um grupo de risco devido ao comportamento que é particular da idade. Por exemplo, estão sujeitos a doenças sexualmente transmissíveis (DST’s) e gravidez indesejada, visto que 9% dos adolescentes pesquisados já estão com a vida sexual ativa. “Com o a carteira de vacinação não atualizada, os jovens ficam ainda mais expostos a doenças, como a hepatite B e o HPV. Agora o nosso foco é corrigir esta situação”, ressalta Milene.

Através do trabalho, as autoras concluíram que é necessário a implementação de políticas públicas que estimulem os adolescentes e suas famílias a terem acesso à informação como forma de avaliar o risco de adquirir uma doença imunoprovável. Conforme Milene, essa é uma forma de motivar e sensibilizar a população para a importância de manter a caderneta vacinal do adolescente atualizada.

A caderneta vacinal é de responsabilidade dos pais do adolescente e não existe um banco de dados que reserve estas informações, por isso o cuidado com o documento é ainda maior. A docente explica que o Ministério da Saúde é responsável pelo fornecimento das vacinas e pelas campanhas de vacinação, mas a busca por elas é compromisso dos pais. “É essencial para a vida do adolescente manter este documento atualizado, pois ali está disponível cuidados e orientações fundamentais que eles necessitam”, finaliza.

O trabalho das médicas docentes recebeu Menção Honrosa e foi premiado como melhor trabalho científico do Rio Grande do Sul no 38° Congresso Brasileiro de Pediatria realizado em Fortaleza. Simultaneamente ocorreram os Congressos de Ensino e Pesquisa; o Simpósio de Aleitamento Materno; o Congresso de Reumatologia Pediátrica e os Encontros dos Residentes e das Ligas de Pediatria.

Redação: Rafaela Rosa

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