OLHAR CRISTÃO (11 de setembro 2017)
Amigos e amigas da Rádio Universidade, dois fatos chamaram a nossa atenção na semana que passou. O primeiro, a nível nacional, foi a ação da PF que resultou na apreensão de 51 milhões de reais num apartamento cedido ao ex-ministro Gedel Vieira Lima em Salvador, BA. O outro fato importante aconteceu aqui mesmo no RGS. Reunidos em assembléia os professores do estado resolveram decretar greve por tempo indeterminado. Estes dois fatos aparentemente sem relação um com o outro guardam entre si uma profunda ligação. Esses escândalos de corrupção que o Brasil está assistindo quase que toda semana, mostram a face mais suja da política brasileira ou do modo como a atividade política vem sendo exercida desde os tempos de Cabral. A cada nova operação da PF o povo brasileiro vai descobrindo que o problema realmente não é falta de dinheiro. Dinheiro existe, mas nas mãos de quem? Essa resposta com certeza todo cidadão, toda cidadã tem na ponta da língua. O dinheiro que falta para bancar saúde, educação, transporte, saneamento de qualidade ta no bolso (ou no apartamento) de uma meia dúzia de ladrões engravatados, boa parte deles com mandato parlamentar, inclusive. Enquanto o Presidente Michel Temer e seus ministros pedem que o povo faça sacrifício, o dinheiro aparece em forma de propinas. Enquanto o governador Sartori afirma que o estado do RGS não tem condições de honrar o pagamento integral dos seus funcionários, inclusive dos coitados dos professores, os altos escalões do Executivo, os nobres deputados e deputadas além dos excelentíssimos membros do Poder Judiciário recebem religiosamente os seus proventos. Assim fica difícil realmente fazer com que o povo acredite no governo. Na televisão, no rádio e nos jornais, sacos, malas, caixotes de dinheiro são jogados na nossa cara como uma forma de escárnio, mas o discurso oficial é de que não existe mais dinheiro. Então, entre o discurso oficial cheio de lamentações e a realidade podre da política que somente agora o povo está conhecendo existe uma enorme distancia.
Amigos e amigas da Rádio Universidade, mais do que nunca, precisamos “passar o Brasil a limpo”. Chega de enganação! Estamos cansados, estamos enojados com tudo isso. O estado brasileiro foi dominado por uma quadrilha de gente sem escrúpulos. A classe política, os nossos representantes, ou grande parte deles pelo menos, não merece mais credito. Esse pessoal jamais pensou no bem do Brasil, no bem do RGS e sim nos seus interesses particulares ou corporativos. Esses políticos usaram o seu mandato para enriquecer. E dane-se o povo, o pobre do eleitor! Então agora precisamos tomar uma decisão. Não basta a indignação diante dos fatos escabrosos que surgem a cada dia. Não basta ficar xingando esses políticos ladrões, é preciso dar o troco, quer dizer, demonstrar na pratica que é preciso mudar, que é necessário limpar o Brasil dessa canalhice toda. A oportunidade pra gente fazer isso está chegando e não demora. Em 2018 teremos eleições e certamente vão aparecer os candidatos honestos, honestíssimos. Em cada esquina surgirá um novo “salvador da pátria”. Tenhamos muito cuidado! Errar é humano, repetir o erro é burrice! E um novo erro pode significar mais quatro ou oito ou vinte anos de sofrimento. Será que é isso que o povo gaúcho, o povo brasileiro está querendo? Vamos continuar apanhando? Vamos continuar apenas reclamando ou xingando os políticos diante da TV? Se nada mudar na política brasileira, é sinal de que realmente o nosso país não tem mais jeito e não tem mais jeito porque o seu povo não quer.
Amigos e amigas da Rádio Universidade, comecemos a nos preparar para o voto em 2018 porque o voto é de fato a nossa arma mais poderosa, mais poderosa do que qualquer greve, do que qualquer ocupação de prédios públicos, e mais forte do que o grito do povo nas ruas e praças. O grito do voto na urna é a voz do povo. As urnas resumem a nossa esperança. Nas urnas o povo diz o que ele quer. Queira Deus as urnas no próximo ano não se calem pela omissão do povo brasileiro.

Pe. Plutarco Almeida, SJ / Diretor Geral da RU

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